Psiquiatria na Adolescência

Os psiquiatras da infância e adolescência lidam com pacientes ate à idade de deixar a escola. Estudos na comunidade indicam que entre 7 e 20% das crianças, podem ter um diagnóstico de perturbação psiquiátrica, em que apenas 10% dessas crianças, recebem tratamento. Antes da Puberdade, os rapazes têm mais problemas do que as raparigas, sendo mais comuns as perturbações do comportamento do que as emocionais. No entanto a medida que a idade vai sendo maior, as taxas vão-se modificando e passam a prevalecer as perturbações emocionais nas raparigas, diminuindo a taxa nos rapazes.


Factores:

Muitos casos têm, provavelmente, uma causalidade multifactorial, incluindo: predisposição genética para a perturbação psiquiátrica ou factores biológicos tais como: alimentação antes e depois do nascimento; um ambiente psicologicamente difícil ou de privações. Os factores individuais associados às perturbações na infância incluem:

  • Doença cerebral orgânica;
  • Doença física crónica;
  • Baixa inteligência;
  • Abuso;
  • Adopção;
  • Pobreza
  • Família monoparental;
  • Família muito grande;
  • Minoria étnica;
  • Comportamento anti-social na família;
  • Discordância dentro da família e atitudes indesejáveis dos pais, que incluem sobreprotecção bem como hostilidade e negligencia;
  • Doença física ou mental, (por exemplo da mãe), que por factores hereditários, pode ou não passar para o filho;
  • Separação da mãe, (ou do pai), especialmente se não existir substituto adequado. É muito importante um envolvimento afectivo nos primeiros tempos de vida, que não tem de partir necessariamente de uma mãe biológica.

 

Perturbações neuróticas (emocionais):


Aqui encontram-se os problemas de assiduidade escolar e perturbações afectivas.

Na assiduidade escolar, a recusa é uma relutância em frequentar a escola devido ao medo dos professores ou das outras crianças, (fobia escolar), ou devido ao medo de deixar a mãe, (ansiedade de separação). Mas, muitas das vezes, a mãe encoraja isso, porque ela própria é imatura ou sofre de depressão e fica relutante em separar-se do filho. Um exemplo de uma criança não querer ir à escola é dizer que tem dores de barriga, ou outra coisa qualquer. Mas atenção, porque a recusa escolar deve ser totalmente distinguida do “fazer gazeta”, ou seja, faltar porque tem algo para fazer que lhe agrada mais. E isso já é considerado como perturbação no comportamento, o qual falaremos mais em diante.

As perturbações afectivas podem ser divididas em três ou mais categorias, sendo estas: Depressão; Perturbação afectiva bipolar e Suicídio. A depressão é, muitas das vezes uma reacção a um acontecimento de perda ou outro factor de stress. Este problema ocorre maioritariamente nos adultos e muito raramente nas crianças. Alguns dos sintomas são: anorexia; dores abdominais ou enxaquecas.

Depois, existe a perturbação afectiva bipolar, que se inicia na infância, com episódios maníacos ou depressivos. Os episódios maníacos podem ser mal diagnosticados, pois pode o psicólogo ou psiquiatra considerar uma perturbação do comportamento. Por último, o suicídio, que é raro nas crianças, mas frequente na adolescência, principalmente com rapazes, onde a taxa é mais elevada.

 

 

Perturbações no comportamento:

 

As perturbações do comportamento envolvem um comportamento anti-social persistente: roubar, mentir, vandalismo, vadiagem, agressão e perturbações sexuais. Normalmente, estão associadas a circunstâncias sociais adversas ou lesões cerebrais, que são cerca de quatro vezes mais comuns nos rapazes do que nas raparigas. Todos os comportamentos anti-sociais que abordamos referem-se à delinquência. A “delinquência juvenil” é um comportamento protagonizado por crianças com idades superiores a 9/10 anos. Está fortemente associada a factores sociais como: famílias numerosas; desequilíbrio familiar; criminalidade noutros membros da família; pobreza; residência em determinadas zonas suburbanas. Não deixar de estar associada a factores individuais como: baixa inteligência; lesão cerebral e deformações físicas menores. Cerca de 40% dos adolescentes deste grupo, tornam-se criminosos na vida adulta.